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::O ESPIRITO AMERICANO::

6 Ago

     Quando eu paro pra relembrar parece inacreditável que a história de Holden Caufield narrada no clássico Apanhador no campo de centeio se passa em apenas uma semana na vida dele. Sucesso estrondoso como livro ele atravessou indelével várias gerações tudo trunfo do escritor J.D.Salinger que funda com ele a marca de uma geração.

     Holden é o retrato do que antes não tinha nome e hoje se chama juventude. A rebeldia, o deboche, a impaciência  misturada com uma dose de adulto com criança são a cara também da cultura Americana. Sua marca de estar no limite entre a arrogância e a auto-confiança.

     Deliciosamente Holden nos cativa quando é expulso do internato e, para evitar contar aos pais mais uma falha, resolve se perder na Nova York dos anos 50. Está tudo lá: o cinema, os carros, os meninos de caráter forte, os primeiros porres e essa iniciação no mundo. Holden se encontra com um ex-professor, uma ex-namorada, com sua irmã precoce tudo na busca de si mesmo. Ao som dos primeiros acordes do rock, do gosto do clássico Milk Shake com hambúrguer.

     Ah! A América ! com seus carros venenosos, seus negros no sul e brancos no norte. Com seu jeans misturado com couro.  J.D.Salinger estava fundando ali a marca cultural de uma nação. Ralph Lauren é um dos marcados. Dizem que ele é o mais americano dos estilistas (sim, porque Marc Jacobs é do mundo) não pelo couro, pelo rock, mas pelas origens da cultura norte americana.

     E é só nele que eu penso quando lembro do “Apanhador no campo de centeio” corajoso, impetuoso e infantil  mas ao mesmo tempo solitário dentro de um museu nova iorquino. Lembro de seu verão de 2009 em que o jeans em claras lavagens convivem com pés no chão e ousadia. Macacões  jeans sobram na coleção iguaizinhos àqueles que os negros usavam nos campos de laranja e algodão no Mississippi ou na Louisiana. Os vestidos com chapéu, com boina; os ternos femininos em azul profundo, as meias curtas usadas com tecidos esvoaçantes é  tudo da América: do jazz, do soul, do rock, do campo e da urbanidade ao mesmo tempo. É a guerra de secessão em curso: a união do sul com o norte.

Salinger também unifica extremos e funda a adolescência como tempo a ser respeitado. Holden Caulfield entra pra sempre no rol dos jovens do mundo e influenciará todo a geração Flower Power seguinte, os rockers como Jim Morisson e Robert Plant. E Ralph Lauren confirma que o espírito da juventude, esse, do tipo bem americano não morre nunca.

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::MOCINHAS PASSEIAM DE JASON WU::

9 Jul

                     Ser um  best seller antes do tempo da comunicabilidade, tecnologia e do comércio integrado é um feito e tanto para um pequenino livro. Foi assim com Eleanor Porter, escritora americana alçada à eternidade da fama ao escrever o clássico da literatura mundial Poliana (1913). O livro narra a história da pequena órfã que se muda para a casa de uma tia rica e de coração duro amolecido por  Poliana que com seu jeito extremamente positivo de ver o mundo  muda a vida dos cidadãos da pequena cidadezinha. Ver o lado positivo em toda e qualquer situação é a estratégia da menina – o jogo do contente – e a torna famosa, embora Poliana tenha uma inteligência ácida e conquistadora.

                  Poliana e sua história universal de bom mocismo sedimentam uma era importante para a América do Norte país então jovem que antes mesmo das guerras ainda precisa se afirmar no mundo. A base do espírito americano de liberdade está plantada na história do livro Poliana. É essa mesma América que abraça o multiculturalismo em suas megalópoles e em seus campos de pedra  vemos florescer o talento de uma leva de novos estilistas  como Lazaro Hernandez da Proenza Shouler,  Alexander Wang e Jason Wu.

Poliana leva Jason Wu para passear na américa bucólica

                Wu recupera o bucólico sentimento campestre -sulista da simplicidade em sua coleção resort 2011. Os chapéus de palhinha, as golas jabô, os vestidos curtos, os tecidos planos e a imagem de um bom mocismo que é a cara do sul dos Estados Unidos de Eleanor Porter. Tudo transpira a cidadelas com heroínas mirins e cheias de uma fé na vida, na vitória do bem sobre o mal e um espírito de heroísmo que marcam até hoje a cultura americana.

                Os Estados Unidos de Jason Wu e Eleanor Porter ainda tem em comum o desejo desse conservador, ingênuo e, porque não, encantador de que é sempre possível ser uma mocinha contente no fim das contas.

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