Tag Archives: Verão 2011

::A MARIA BONITA É FLICTS::

9 Set

Uma das marcas mais expressivas e queridas da moda brasileira é a Maria Bonita. Para o verão 2011 a estilista Danielle Jensen se inspirou na arquitetura e nos tons das casas do norte e nordeste.  Tanta arquitetura foi contada no livro de Anna Mariani “Fachadas e Platibandas”.  A Maria Bonita imprime à moda brasileira mais uma vez sua marca autoral e, há algumas coleções, uma marca que também é regional.

As  formas são assimétricas, sobretudo em se tratando de roupa, nada ali é muito usual aos olhos.  Se há uma calça, vem um bustiê; os vestidos são arrematados por placas que lembram telhados triangulares e até as bolsas são pesadas , de madeira e com cara de feira.  E, como se brotado do chão os tons terrosos mandam no desfile.  A Maria Bonita do verão 2011 é toda Flicts.

É Flitcs nos tons terrosos do começo que evoluem para cores pastel.  Os tops que tem chapéu acoplado são Flicts.  Na Maria Bonita o azul, o amarelo e rosa são totalmente Flicts. 

Flicts é  aquela cor que é tudo e é nada. A lua é Flicts, o sol é flicts, o burro quando foge é flicts. 

Flicts é uma história meio fábula contada por Ziraldo em mais um estrondoso sucesso literário para crianças. Ele nos lembra que todas as cores tem um lugar no mundo e Flicts também tem.  É uma história sobre cores mas também uma história sobre exclusão.  Asssim como a história da Maria Bonita que  nos faz olhar pra cima do nosso mapa, para além das formas conhecidas e linhas quadradas e reverenciar a originalidade de quem constrói casas com as mãos e faz arquitetura própria e que pinta com as cores sujas de terra, mistura cal no vermelho, no azul , no verde e faz a cor ‘candy’ diretamente no sertão. 

Incontáveis gerações escolares já se encantaram com o texto de Ziraldo que é cheio desse desejo de fazer parte, de achar algo no mundo que seja Flicts, que tenha a cor parecida com a sua. Não custa lembrar que desde sua primeira publicação em 1969 “Flicts” marcou uma mudança na literatura infantil brasileira abolindo as ilustrações figurativas e óbvias pra criança.Além de encantador é  inegável também a vocação do livro para falar da dificuldade de se encaixar, pra atingir o íntimo de crianças e adultos com uma metáfora tão poderosa quanto cores. 

Incluídas na beleza do desenho arquitetural e colorido brasileiro as fachadas e platibandas do sertão se derramam em vestidos, camisões e calças pescadores tudo cor Flicts, cor de coisa que se acha, que se descobre de repente.  E que passa a existir no mundo

Brasileira e  colorida a Maria Bonita é toda Flicts.

::CELEBRAÇÃO::

19 Jun

Uma coisa para se afirmar a respeito de Ernest Hemingway é que definitivamente é simples ler Hemingway. Leitura fácil não precisa ter enredo raso é simplesmente desembolado, fluido, quase musical.

E foi só por isso que no mais improvável dos lugares eu li Paris é uma festa! Estava em uma das praias mais lindas do Brasil, no Espelho, no sul da Bahia e achei o livro perdido bem dentro da casa em que fiquei hospedada. E ele me fez dar as costas para o sol e os corais e gastar fins de tarde com os pés metidos na areia curtindo a deliciosa descoberta de um escritor e sua mulher que se mudam para o lugar mais espetacular do mundo, na época mais espetacular de todas. É um livro autoral em que se conta uma história verídica, mas que em nada se assemelha à nossa ideia de festa. Hemigway e sua mulher passam pelas maiores privações para viver o sonho dele: ser escritor na Paris dos anos 30.  Nessa época ele persegue e sonha ser como o afamado escritor irlandês James Joyce. Para isso vivia com agrura misturada a pequetitas felicidades, com páginas escritas ao fim do dia e café ralo para economizar açúcar.

A festa de Hemingway e a festa da Triton

Conviver com artistas, acordar, dormir e pensar nos personagens e na arte: essa era a festa. Festa era viver a vida que se escolheu com toda sua força.

Karen Fuke fez para Triton uma proposta de festa para vivermos no verão 2011. Festa ao nosso modo século XXI com fogos de artifício, liberdade, pernas de fora, transparências e insinuação, franjas e movimento. Festa na beira da praia, no fim do dia. Do mesmo jeito que eu e meu livro na Bahia.

A festa da Triton sobe a bainha e roda a saia. É a festa da mocinha que cresceu, talvez já saiu da escola e já vai para a praia sem os pais. É a festa do primeiro enfrentamento … como é o de Hemingway; um jovem que sentindo o coração bater de vontade de fazer aquilo que sonha. Faz as malas e enche o peito de vontades e sonhos gordos para passar fome e frio ao lado de artistas e escritores admirados.

E as mocinhas da Triton também festejam com admiração se vestindo como que desejando ser desde já, mulheres.

%d bloggers like this: